O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, afirmou nesta segunda-feira (21) que a Polícia Civil trabalha com três teses para o assassinato da ialorixá Bernadete Pacífico, importante líder quilombola. O crime foi cometido na noite de quinta-feira (17), na frente dos netos da idosa de 72 anos.
De acordo com Jerônimo, as hipóteses de briga por território e intolerância religiosa são investigadas, mas a mais destacada pela Polícia Civil da Bahia é a de disputa de facções criminosas – uma tese bem divergente da apontada por especialistas em conflitos envolvendo quilombolas e pelos advogados da família de Bernadete.
“Essa tem sido, na tese da Polícia Civil, a mais premente, a que ‘possa acontecer’ [pode ter acontecido]. Se isso aconteceu, da mesma forma [que as outras teses] não haveremos de nos debruçar sobre ela, em uma parceria integrativa com o governo federal, com a Polícia Federal”, disse o governador.
O governador não explicou a relação do assassinato de Bernadete com o tráfico de drogas, já que a ialorixá e líder quilombola não tinha envolvimento com a criminalidade. Além disso, ela relatava, frequentemente, as ameaças que recebia de grileiros e madeireiros, que queriam extrair matéria prima ilegalmente na região do Quilombo Pitanga de Palmares, Área de Proteção Ambiental (APA) em que ela morava.
Uma dessas denúncias foi feita, inclusive, à presidente do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber. Uma pessoa próxima à líder religiosa, conversou com o g1 sobre o assunto e preferiu não se identificar. Esta pessoa disse que Bernadete comentou sobre a intensificação das ameaças nas últimas semanas, e da presença de um homem que tentava vender terrenos no quilombo.
“Suspeitamos que tenha havido um conluio entre esse invasor dos terrenos no quilombo e um policial que está por trás da exploração clandestina de madeira”, disse. Este homem é apontado, inclusive, como responsável por cortes de energia que aconteceram no imóvel momento antes do crime